cirurgia olho

O meu(inha) filho(a) vai ser operado(a) ao estrabismo!! E agora?

O estrabismo é uma patologia oftalmológica que se caracteriza pelo desalinhamento dos dois olhos, ou seja quando os eixos visuais não são ambos coincidentes entre si. Clinicamente o estrabismo não é apenas uma situação estética, podendo condicionar diferentes sintomas e alterações do desenvolvimento visual, dependendo da idade em que surge:

  1. Ambliopia
  2. Perda de visão binocular, de profundidade e tridimensional
  3. Posição anómala da cabeça
  4. Diplopia ou visão dupla
  5. Baixa de acuidade visual e fadiga

O tratamento do estrabismo, individualizado sempre caso a caso, poderá passar por óculos (com ou sem penalização óptica – o “penso ocular”), treinos de ortóptica ou cirurgia; sendo que estas ações terapêuticas são muitas vezes complementares e não se excluem obrigatoriamente entre si.

Por outro lado a reabilitação visual, sobretudo na infância, é um processo continuo cujo tratamento se adequará à pessoa em causa e ao momento do seu crescimento. OU SEJA, paciência e perseverança são fundamentais… tanto para o doente e para os pais (no caso da criança) como para o médico.

Quando é proposto o tratamento cirúrgico é perfeitamente natural que mais dúvidas surjam e que nós enquanto Pais ou mesmo enquanto doente nos questionemos se será verdadeiramente a melhor opção a tomar naquela altura, quais os objetivos e o que esperar para o futuro…

 

A CIRURGIA É NECESSÁRIA OU OBRIGATÓRIA? É URGENTE?

No tratamento do estrabismo nem sempre a cirurgia é uma opção, podendo até nem estar indicada para determinados tipos de estrabismo.

Porém quando o Oftalmologista a equaciona e propõe significa que terá um objetivo específico:

  1. Melhorar o alinhamento ocular e assim melhorar o desenvolvimento da visão binocular – este objetivo funcional (isto é, melhorar a função visual que ainda está em maturação) é apenas passível de ser alcançado quando a intervenção é realizada durante a infância;
  2. Melhorar o alinhamento ocular e anular a diplopia (visão dupla) – objetivo funcional que visa corrigir uma diminuição da capacidade de visão e que se aplica apenas aos casos em que o sintoma (diplopia) exista (sobretudo adultos, adolescentes e crianças após os 7-8 anos);
  3. Corrigir ou anular uma posição viciosa da cabeça secundária ao estrabismo;
  4. Intuito estético.

Assim e como se compreenderá, a cirurgia não sendo obrigatória assume uma papel especifico podendo ter um benefício acrescido no desenvolvimento visual da criança (sobretudo) quando o objetivo são os pontos 1 , 2 ou 3.
Por outro lado a cirurgia de estrabismo RARAMENTE se assume como Urgente.

 

EM QUE CONSISTE A CIRURGIA DE ESTRABISMO?

A oculomotricidade, isto é o movimento coordenado dos dois olhos, é posta em acção através de seis músculos (em cada olho) que estão ligados à superfície do globo ocular e que através do comando cerebral permitem os movimentos em diferente direcções de forma conjugada e ritmada.No estrabismo, por diferentes causas, temos uma disparidade no funcionamento coordenado de um olho para o outro destes mesmos músculos.

A cirurgia consiste em operar os músculos (fortalecendo ou enfraquecendo a sua ação de acordo com a necessidade e por diferentes técnicas) por forma a equilibrar os dois olhos. O acesso aos músculos é feito por incisões microscópicas na conjuntiva (mucosa transparente que recobre o olho) cuja cicatrização não deixará marcas perceptíveis, nomeadamente na pele.

 

ONDE É REALIZADA? E COMO É FEITA A ANESTESIA?

A cirurgia é feita num bloco operatório devidamente equipado e preparado do ponto de vista de material e de recursos humanos para o efeito – médico cirurgião (Oftalmologista), médico Anestesista e enfermeiros especialistas.

O doente é operado, salvo raras excepções, sob Anestesia Geral. Para tal é fundamental (e de acordo com as instruções dadas) cumprir um tempo de jejum pré-operatório rigoroso que regra geral é de 6 horas.

 

QUANTO TEMPO DEMORA A CIRURGIA? É NECESSÁRIO INTERNAMENTO?

O tempo cirúrgico (entre anestesia e cirurgia) varia normalmente de 60 a 90 minutos. É no entanto influenciado por algumas variáveis… a saúde geral do doente, se a pessoa já foi previamente operada ao estrabismo, bem como pelo número de músculos a operar e a técnica a utilizar naquele caso em particular.

A cirurgia é realizada em regime de Ambulatório, significa isto que o doente terá alta para casa após cumprir algum tempo (1 a 3 horas) de monitorização no recobro após o acordar da anestesia geral.

 

HÁ RISCOS NA CIRURGIA ? COMO É O PÓS-OPERATÓRIO ?

Como em qualquer procedimento cirúrgico há riscos associados. Mesmo que sejam de baixa probabilidade e/ou gravidade devem ser conhecidos previamente à intervenção, até porque a sua compreensão ajuda à sua resolução caso tal ocorra.

  1. Olho vermelho: é expectável no pós-operatório ficar com os olhos “ensanguentados” não sendo isso considerado um efeito adverso.
  2. Sensação de corpo estranho e fotofobia (dificuldade com a luz): é normal sobretudo nos primeiros dias e melhora com a terapêutica (colírios) a realizar no pós-operatório.
  3. Dor na mobilização do olhar: varia de pessoa para pessoa mas é algo que apesar de estar presente é geralmente bem tolerada, não havendo na maioria das vezes necessidade para analgesia oral prolongada.
  4. Infecção: a celulite orbitária, apesar de rara, é uma complicação importante. A cirurgia é realizada sempre de forma e em ambiente asséptico, cumprindo o doente terapêutica antibiótica dirigida para minimizar este risco. No período pós-operatório inicial será sempre vigiado(a) pelo seu Oftalmologista que saberá alertar para os sinais a estar atento, bem como para a necessidade de tratamento caso tal aconteça.
  5. Diplopia ou visão dupla: dependendo do tipo de patologia inicial e da técnica empregue a visão dupla pode ser até um sintoma expectável e transitório no período precoce após a cirurgia. A sua resolução pode ser expontânea ou necessitar de tratamento com óculos ou cirurgia adicional. Deverá ser sempre discutido com o seu Oftalmologista já que a explicação é particular caso a caso.
  6. Riscos da Anestesia Geral: raros. Depende sempre da saúde geral e da história familiar da pessoa. A preparação pré-cirurgia é fundamental para antever alguma complicação.

Assim se percebe que a cirurgia de estrabismo é considerada uma cirurgia SEGURA.

 

A terapêutica após a cirurgia é fundamental e fácil de realizar, consistindo em colírios (gotas para os olhos) – habitualmente uma associação entre anti-inflamatório e antibiótico. Apesar de algumas crianças serem mais avessas à sua colocação, com paciência e calma é quase sempre bem tolerada. Não sendo frequente poderão no entanto ser usados nos primeiros dias anti-inflamatórios e analgésicos via oral.

Salvo situações particulares o doente terá alta sem necessidade de penso ocular (não vai com “os olhos tapados”). Deverá ter atenção ao meio que o rodeia evitando ambientes eventualmente contaminados, água da piscina ou mar, bem como desportos de contacto e esforços físicos mais exuberantes.

O regresso à atividade habitual é geralmente rápido, após 3 a 5 dias da cirurgia. As crianças regressarão à escola de forma segura e os adultos poderão conduzir ou trabalhar ao computador assim se sentirem confortáveis para tal.

 

Fontes:
associação americana de oftalmologia pediátrica e estrabismo – https://www.aapos.org/glossary/strabismus-surgery.
Poderão ser consultados vídeos sobre algumas técnicas cirúrgicas.

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