Monitores e oftalmologia pediátrica

Os monitores e as crianças

Nos dias atuais e pela interacção social e de lazer, mas também de estudo e trabalho a que as nossas crianças e adolescente se expõem é normal e aceitável que os pais se questionem sobre o tempo de exposição máximo a ecrãs e monitores que devem permitir aos seus filhos sem que daí advenham consequências para a sua saúde visual.

A quantidade de uso diário tem sido, por outro lado, associada a alterações de desenvolvimento, obesidade, má qualidade do sono e ao próprio desenvolvimento ocular. A Organização Mundial da Saúde divulgou recentemente diretrizes, sugerindo a ausência total de exposição para crianças antes dos 12 meses de idade e exposição muito limitada para crianças mais velhas. A Academia Americana de Pediatria recomenda a ausência de dispositivos digitais (exceto as videochamadas) para crianças menores de 18 a 24 meses, recomendando que aquando do seu início o façam apenas para conteúdos educacionais.

 

Qual os efeitos dos monitores e ecrãs nos olhos das crianças?

A Academia Americana de Oftalmologia não possui recomendações específicas quanto ao tempo diário para crianças. Mas os pais devem estar cientes e esclarecidos quanto aos possíveis efeitos nos olhos das crianças, bem como das preocupações mais globais com a saúde geral.

A Miopia e o trabalho e leitura de perto

A prevalência de miopia tem crescido a nível mundial. Na Ásia, com variabilidade inter-estudos e de diferentes populações, relatam-se prevalências de até 90% dos adolescentes e adultos míopes, um aumento considerável nas gerações mais recentes.

Um estudo publicado em Maio de 2018 na revista Ophthalmology – a revista da Academia Americana de Oftalmologia – oferece alguma evidência de que pelo menos parte do aumento mundial da miopia possa estar relacionado com o excesso de trabalho de perto. Mas não são especificamente os monitores digitais que afetam o desenvolvimento ocular, mas também os livros tradicionais e a quantidade de tempo despendido em ambientes fechados (dentro de portas) em geral. O estudo relata paralelamente que passar algum tempo ao ar livre – especialmente na primeira infância – pode retardar a progressão da miopia.

Quer isto dizer que não será o ecrã em si o responsável pela maior probabilidade no desenvolvimento e evolução para a miopia, mas sim o número de horas e intensidade de trabalho de perto, sobretudo associados à ausência de atividades ao ar livre (não beneficiando do efeito protetor da exposição solar).

Astenopia digital – “Cansaço Ocular”

A fadiga ocular digital não é uma entidade clínica única, como por exemplo o glaucoma ou a conjuntivite. É o nome atribuído a um conjunto de sintomas que as pessoas desenvolvem quando passam muito tempo diante de um ecrã ou monitor (novas tecnologias) – sensação de desconforto ocular, olhos secos (e paradoxalmente lacrimejo espontâneo), prurido (comichão), visão turva e oscilante, bem como cefaleias (dores de cabeça). Esta panóplia de sintomas reflete uma condição funcional e de desconforto que é transitória e não um dano a longo prazo em determinada estrutura ocular. No entanto as queixas são geralmente duradouras uma vez que a exposição diária se mantém e não é quebrada.

Uma maneira fácil de evitar a fadiga ocular digital (ou fadiga ocular de qualquer outra tarefa prolongada de foco para perto, como ler) é a cada 20 minutos, focar um alvo distante a mais de 6 metros (20 pés de distância) durante 20 segundos (a regra dos 20-20-20). Esta estratégia permite que o músculo ciliar (responsável pelo foco de perto) relaxe. Como é óbvio este regra é dirigida aquelas pessoas que estão dependentes do trabalho ao computador (adultos com uso profissional), devendo as crianças e adolescentes que usam os tablets, telemóveis e computadores por motivos de lazer ser restringidos no tempo de utilização com pausas obrigatórias; incutindo a troca destas atividades por outras ao livre e em grupo.

Perturbações do Sono

O uso da ecrãs muito perto da hora de dormir pode prejudicar a qualidade do sono. O sono é fundamental para o desenvolvimento infantil – uma menor duração do tempo de sono foi associada a maior adiposidade, menor capacidade de regulação emocional, distúrbios do crescimento, mais tempo de ecrãs e maior risco de lesões. Assim sendo e mais uma vez a OMS fez do sono um dos focos das suas recomendações.

Dicas de conforto e segurança ocular para crianças

A melhor maneira de lidar com os possíveis efeitos deletérios é ajudar as crianças a definir bons hábitos e estruturar comportamentos:

  1. Usar a regra 20-20-20 quando aplicável
  2. Fazer pausas frequentes nos videojogos e estabelecer limites e objetivos para cada sessão
  3. Evitar o uso de monitores no exterior ou em áreas com muita luminosidade, onde o brilho refletido causa mais facilmente desconforto.
  4. Ajustar o brilho e o contraste do ecrã
  5. Adoptar um boa postura. Más posturas pode contribuir para a fadiga e contraturas muscular cervicais e lombares, bem como cefaleias associadas ao cansaço visual.
  6. Incentive e relembre o seu filho a afastar-se dos monitores: 45 a 60 cm é o ideal.
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