Nistagmo em bébé

Os olhos do meu bebê tremem… NISTAGMO! O que é?

O nistagmo é um movimento rápido, involuntário e rítmico dos olhos. Esse movimentos de “dança” , trémulo ou sacudidela geralmente ocorrem em direções horizontais ou verticais.

 

Existem diferentes tipos de nistagmo?

O nistagmo pode ser classificado como congénito ou adquirido, com várias subcategorias.

O início do nistagmo congénito ocorre geralmente entre as 6 semanas e os 6 meses de idade. A partir dessa data é considerado adquirido e pode exigir exames complementares de acordo com o seu padrão clínico. O nistagmo congênito tende a ser dividido em dois grupos em que a evolução e necessidade de tratamento é claramente distinto: crianças com visão anormal (nistagmo sensorial) e crianças com visão normal (nistagmo motor).

 

  • Em crianças com visão anormal, os olhos não são capazes (por diferentes motivos) de enviar ao cérebro imagens nítidas; por sua vez o cérebro não obtendo este feedback visual fundamental ao seu desenvolvimento, não é capaz de manter os olhos fixos de forma estável. As doenças que podem estar associadas a este tipo de nistagmo incluem a catarata congénita, a hipoplasia do nervo óptico, a amaurose congênita de Leber, a acromatopsia, o albinismo oculocutâneo, a aniridia, o coloboma da coróide e os erros refrativos graves, entre outros. O fator comum em todas essas condições é que elas causam deficiência visual moderada a grave em ambos os olhos desde o nascimento. Esse tipo às vezes é conhecido como “nistagmo sensorial”, referindo-se ao fato de que os olhos têm uma capacidade prejudicada de “captar” a visão. Esse tipo de nistagmo tende a começar por volta de 2 a 3 meses de idade e continua ao longo da vida, de acordo com a evolução da sua patologia de base.
  • O outro tipo de nistagmo infantil ocorre em crianças com visão normal ou quase normal, mas o cérebro tem um controlo motor prejudicado sobre a estabilidade ocular. Por esse motivo, esse tipo de nistagmo é normalmente referido como “nistagmo motor congênito ou idiopático”, não cursando normalmente com outros sinais ou sintomas. Este tipo de nistagmo é o mais comum (35% dos nistagmos na criança), mas frequentemente não tem uma causa identificável.

 

Pelo que, se uma criança apresenta nistagmo nos primeiros meses de vida, é fundamental uma avaliação clínica por um Oftalmologista Pediátrico treinado e capaz de avaliar toda a via anatómica visual por forma a excluir outra patologia associada (a exemplo as já listadas), garantindo a saúde da função visual.

O nistagmo adquirido ocorre mais tarde, por volta dos 6 meses de idade, mas pode ocorrer em qualquer época depois disso. Pode ter muitas etiologias – anomalias cerebrais estruturais e funcionais, efeitos colaterais de medicamentos, neoplasias, distúrbios genéticos e metabólicos entre muitos outros. O nistagmo adquirido pode estar associado a condições médicas graves e geralmente exige uma avaliação adicional com exames de imagem – como uma ressonância magnética cerebral – e exames auxiliares analíticos para determinar uma causa potencial; bem como um acompanhamento interdisciplinar com a Neurologia Pediátrica e outros especialidades.

 

O nistagmo é hereditário?

A maior parte ocorre de forma espontânea numa criança, o que significa que não estava presente em qualquer um dos pais. No entanto, existem famílias com vários membros afectados, o que nos ajuda a identificar genes relacionados com casos familiares de nistagmo – que podem ter várias formas de hereditariedade: dominante, recessiva e ligada ao X. Mesmo nestes casos familiares a forma clínica pode ter diferentes manifestações, isto é não serem absolutamente iguais entre as pessoas.

 

Como afecta o desenvolvimento visual da criança? Qual o prognóstico?

A resposta é variável de acordo com o tipo de nistagmo que a criança apresenta! Como tal a avaliação em consulta é primordial. Se for um nistagmo sensorial congênito, a visão será prejudicada e provavelmente fraca, mas não necessariamente por causa do nistagmo, mas sim pela causa subjacente – da retina ou nervo óptico por exemplo. Por exemplo, uma criança com hipoplasia bilateral do nervo óptico (ou nervos ópticos de desenvolvimento anormal), a criança terá visão deficiente principalmente devido à anormalidade dos nervos ópticos e não pelo nistagmo subsequente. Numa criança com nistagmo motor congênito ou idiopático, em que os olhos são saudáveis e normais, a visão pode ser muito boa.

 

Quais os sintomas?

As crianças com nistagmo geralmente vêem o mundo de maneira semelhante às outras crianças dependendo da idade de aparecimento. No nistagmo congênito o mundo não parece realmente estar “a tremer” para a criança, porque a capacidade de neuroadaptação cerebral é grande – a criança sempre foi assim… Em contraste, indivíduos com início mais tardio ou adquirido frequentemente relatam sensação de movimento e instabilidade na imagem do campo visual captado, uma experiência conhecida como oscilópsia.

 

Algumas pessoas com nistagmo entortam a cabeça! Porque?

A amplitude e a velocidade do movimento dos olhos pode variar de acordo com a direção do olhar. Ou seja, uma criança com nistagmo pode-se aperceber que os olhos mexem mais quando olham para a direita e menos quando olham para a esquerda por exemplo. E assim, como a diminuição do movimento ou trémulo dos olhos se relaciona diretamente com uma melhoria e estabilidade da visão, aquela criança virará a cabeça para a direita para permitir que olhe para a esquerda com mais facilidade. Isso é chamado de “ponto nulo”. Nem todos os casos de nistagmo têm ponto nulo.

Caso exista uma posição viciosa da cabeça pela existência deste ponto, significa que a criança identificou uma maneira de ter uma melhor visão. A criança não deve por isso ser encorajada ou forçada a virar a cabeça na direção oposta, já que isso só diminui sua capacidade visual. Tal facto deverá ser comunicado ao seu Oftalmologista Pediátrico.

 

É possível operar?

O objetivo da cirurgia na maioria dos casos é ajudar a aliviar uma posição da cabeça significativamente anormal ou diminuir a amplitude do nistagmo, caso exista ponto nulo. Nestes casos a cirurgia pode causar melhoria da visão e está indicada.

 

Que outros tratamentos existem?

Em primeiro lugar, depende da causa subjacente do nistagmo (se houver) e do tratamento dessa condição. Por exemplo, se a criança tem um erro refrativo significativo, então a prescrição de óculos é fundamental. No caso de uma catarata congénita a cirurgia é o indicado.
A toxina botulínica pode ser útil para alguns indivíduos com oscilopsia grave e intratável.

 

Adaptado de:
Associação americana de oftalmologia pediatrica e estrabismo – https://aapos.org/glossary/nystagmus;
academia americana de oftalmologia – https://www.aao.org/eye-health/diseases/what-is-nystagmus

Pode ler mais em:
American Nystamus Network – http://nystagmus.org/new/

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