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Blefarite

A blefarite é caracterizada por uma complexa relação entre a flora oculo-palpebral e a disfunção das glândulas de meibomio (DGM), levando a inflamação da pálpebra, alterações na córnea e conjuntiva e sintomas de desconforto ocular.

A blefarite é uma das condições oftálmicas mais frequentemente encontradas na prática clínica. Como tal representa um desafio significativo para o  médico devido à sua natureza crónica e à disponibilidade de diversas opções de tratamento. No entanto, dada a sua prevalência, a sua associação com a doença do olho seco (DOS) e as suas eventuais sequelas que ameaçam a visão, um diagnóstico e tratamento individualizado dessa condição é essencial para reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida de cada paciente.

Os sintomas típicos da blefarite incluem vermelhidão, comichão, ardor, crostas ao longo da margem da pálpebra, formação de chálazios e hordéolos (“treçolho”) de repetição, perda de cílios (pestanas), secreção e lacrimejo. Além disso, como a DGM se assume como a principal causa de DOS, sintomas como secura, irritação ocular e visão flutuante são sugestivos e exigem sempre uma observação cuidada da margem da pálpebra. Estes sintomas são crônicos, geralmente inconstantes, e podem ser exacerbados por alguns fatores ambientais, como vento, fumo, poeira, produtos cosméticos, etc. Os sintomas geralmente são bilaterais, mas podem ser assimétricos.

As estratégias de tratamento incluem uma combinação de higiene da pálpebra, controle da DGM, redução da colonização bacteriana das pálpebras, supressão da inflamação e restituição da função lacrimal. É crucial educar os pacientes sobre a natureza crônica e recorrente da doença e a necessidade de intervenção a longo prazo.

É fundamental relembrar que apesar de ser uma patologia transversal a todas as faixas etárias, as crianças pela sua natureza resiliente e adaptativa apresentam diagnósticos mais tardios, por vezes com atingimento corneano (blefaroqueratoconjuntivites) e sequelas secundárias. Assim devemos estar atentos aos pequenos sinais dos nossos filhos e nunca esperar que sejam eles a dar o alerta … Apesar dos sintomas serem os mesmos que nos adultos, a forma de os exprimirem não o é!

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